Al-Shantara

Ainda restava um dia do aluguel do carro e o objetivo era aproveitar a mobilidade que ele permitia para fazer mais um passeio próximo a Lisboa.  No fim do dia, nós devolveríamos o carro e estaríamos livres para perambular somente por Lisboa, a pé, sem preocupação com o fardo que um carro representa em uma cidade grande europeia.

Havia muitas opções, uma só escolha, que recaiu sobre Sintra (de manhã) e Óbidos (de tarde).

Não que uma manhã fosse suficiente para Sintra.  A cidade é grande, tem muitos atrativos turísticos, talvez um único dia não seja suficiente para ver tudo que há ali.  Mesmo assim, topamos.  O que não víssemos, veremos em outra oportunidade.

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Sintra está para Lisboa mais ou menos como Petrópolis está para o Rio de Janeiro.  Está situada no topo de uma serra, com clima mais ameno que o da capital, envolvida por uma natureza exuberante e servia como refúgio, tanto por questões políticas quanto por questões climáticas para a família real.  Uma diferença significativa, porém, é distância da capital: Sintra está localizada a menos de 30km do centro de Lisboa, enquanto Petrópolis está a mais de 50km do Rio de Janeiro.  Hoje em dia isso pode não ser tão significativo, mas na época das viagens a cavalo e em carruagens, fazia muita diferença.

Diferentemente de Petrópolis, Sintra tem um algo a mais.  Aliás, não apenas um…  Para começar, Sintra é tombada pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade.  E não é por causa de seu conjunto histórico-arquitetônico, mas fundamentalmente pelo de sua paisagem cultural, o que inclui também o seu microclima; em outras palavras, todo o cenário antrópico e biótico da Serra de Sintra é o objeto fundamental da proteção concedida pela UNESCO – e, por consequência, o principal alvo da preservação.  E é realmente impressionante notar como, em um primeiro momento, se está no árido calor de Lisboa e, metros à frente, se está no verde fresco de Sintra.  Não é à toa que, desde os tempos de Ayrton, a família Senna tem lá uma quinta, na Calçada Penalva – que, de quebra, fica a menos de 6km do Autódromo do Estoril.

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Além do tombamento, do microclima, da beleza natural e dos atrativos turísticos, Sintra ainda tem um lado místico que atrai muita gente.  São tantas histórias que se acumulam desde a época da dominação mourisca, passando pela Reconquista até os dias de hoje, que se eu contasse aqui o texto não teria fim.  A propósito, para quem tiver mais tempo e curiosidade, vale a leitura deste post, sobre o tema.  Ali, dentre outras coisas, conta-se a origem do nome “Sintra”, que vem de Al-Shantara (que singifica “paraíso terreal”, em árabe), tendo evoluído para Xintara, Xentra, Cyntia, Cintria, Cintra, até o atual Sintra.  Nada mais apropriado.

E, para quem acha que Sintra é só palácio, castelo, história e misticismo, vale a pena dar uma olhada no episódio do Lugar Incomum, do Multishow, em que Didi Wagner viaja a Sintra (clique aqui para ver).  Ainda há outras coisas legais para fazer ali…

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Uma manhã, porém, não era nem 1/4 do tempo que Sintra demanda para um passeio minimamente decente.  Era necessário fazer escolhas, e a nossa escolha recaiu sobre o Palácio Nacional de Sintra – tema do post de amanhã.

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