Embu das Artes, ou melhor…

Há vinte anos eu conheci Embu das Artes.  Foi um passeio sacal.  Na época, não havia nada ali capaz de despertar minimamente o meu interesse.  Lembro vagamente de como chegar lá, de subir ladeiras e de ver muitas obras de arte à venda, justificando o nome da cidade.

No último final de semana, um passeio familiar me levou novamente ao local.  E tudo estava muito mudado…

Para começar, estacionar o carro se tornou uma proeza, não mais um ato natural.  Carros se amontoavam pela cidade, em câmara tão lenta que caminhar era mais interessante e eficaz.  Mesmo com o miolo do centro histórico fechado à circulação de veículos, acho que a circulação de veículos deveria ser ainda mais restrita.  Em cidades com vocação turística mundo afora, é comum construir um bolsão de estacionamento afastado da cidade, numa distância que pode ser percorrida a pé tão facilmente que torna desinteressante a circulação de carros no centro.  Cito, para tanto, os exemplos de Siena, Pisa e Óbidos.  Mas aqui é Brasil, nada é tão óbvio assim: melhorar a qualidade de vida dos habitantes e facilitar a vida do turista que traz dinheiro para a cidade não é a prioridade.

Ainda mais em um lugar onde o prefeito é acusado de barbáries, procurado, preso, impedido de tomar posse (coisa que já foi revista pela “justiça” do país)

Continuando, as minhas parcas lembranças de Embu eram de um lugar meio psicodélico, exotérico, de bichos-grilo, artistas e congêneres, fazendo jus ao nome.  Um lugar meio Paraty, meio Tiradentes, preservado e quieto, silencioso.  Não vi mais nada disso.  Vi um lugar agitadíssimo, lotado, cheio de camelôs e lojas vendendo bugigangas – que lá chamam de artesanato.  Arte mesmo (peças únicas, individualizadas, capazes de despertar algum sentimento em quem interage com elas), vi pouco.  Quis comprar dois quadros apenas, mas a minha logística de viagem não permitia.  Ficará para a próxima, se houver uma próxima vez.

Almocei num dos restaurantes mais conceituados da cidade, segundo o FourSquare (O Garimpo), e não foi nada demais – nem no serviço (característica mais marcante do comércio paulista), nem na qualidade da comida.  Nota mental: apesar do nome, o restaurante é de comida alemã.

Sabe aqueles lugares de onde você sai pensando: tá bom, já tiquei da minha lista, não volto nunca mais?  Embu das Artes, ou seria melhor dizer Embu das Quinquilharias, da Bagunça…

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