Isso aqui ôô…

Quem lê o título já sabe o resto da letra da música; sabe das maravilhas que ela canta, na melodia tão suave quanto genial de Ary Barroso.  Na época em que ela foi composta (1942), havia uma forte crença de que o Brasil era o país do futuro.  Uma crença exagerada, acho eu, ufanística, mas que existia na época.

De lá para cá muita coisa mudou…

O Brasil desandou.  Experimentou momentos de prosperidade mas, no geral, desaprendemos valores básicos.  O resultado disso foi terrível: vivemos hoje os efeitos nefastos.  O brasileiro sonha ganhar dinheiro sem trabalhar, ainda que seja uma mixórdia (o salário mínimo), ao invés de ser valorizado pelo trabalho.  Faz-se qualquer coisa de qualquer jeito para ganhar-se pouco, ao invés de fazer bem feito para merecer mais.  Estuda-se pouco ou nada, porque não há estímulo que faça o estudo valer a pena.  A cultura geral é a da acomodação, do “Deus proverá”, do “se Deus quiser”… e, francamente, nem Deus tem envergadura para sustentar tantos preguiçosos.

A pior consequência de tudo isso é a violência.  O brasileiro se tornou um povo violento e belicoso por natureza.  Deseducado e violento.  E, quando eu falo de violência, não falo em briga de rua, tapa na cara, navalha na cintura, nada disso.  Aliás, antes fosse só esse o problema.  A violência no Rio de Janeiro, por exemplo, é semelhante à uma guerra civil.  Morre-se todos os dias por causa da violência urbana, na casa das dezenas.  Policiais morrem dia sim dia não.  Há mais armas circulando ilegalmente nas mãos de bandidos do que nunca.  Perdeu-se o senso de defesa da vida.  Matar – e morrer – tornou-se algo banal.

O curioso é que isso dá margem a manifestações da sociedade que ilustram bem o nível de horror que vivemos, ao menos aqui no Rio de Janeiro.  Um dos maiores expoentes dessa cultura é a existência de um perfil de redes sociais chamado “OTT – Onde Tem Tiroteio”, que repercute e mapeia, em tempo real, 24h, as ações violentas da cidade.  Veja no mapa abaixo.

Imagino como deve ser difícil explicar isso para um gringo acostumado a viver em um lugar civilizado: que ouvir tiros é comum, que crianças estão acostumadas a se proteger de tiros em escolas, que todos os dias, sem exceção, os noticiários reportam a morte violenta de algum cidadão…

É por essas e outras que eu acho que abandonar o barco e sair do país é o melhor que a gente pode fazer.  E o mais cedo possível.

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