Óbidos – parte 2

Óbidos

Se você chegou aqui achando que eu vou contar a teoria do dono do Ibn Errik Rex sobre a sobrevivência das muralhas de Óbidos, enganou-se redondamente.  Não vou.  Vá lá e ouça você mesmo.  Do contrário, não há sentido em se viajar.  Aproveite para sorver a ginja servida ali, conhecida por ser a melhor de Portugal.

Não provei outras para comprovar, limitei-me àquela.  A ginja é um licor obtido a partir do suco de uma espécie de cereja típica de  grande parte da Europa, mas que em Portugal é utilizada para este fim.  Tem teor alcóolico em torno de 20% e é geralmente bebido como digestivo, após as refeições, ou como a nossa “pinga” – um trago de vez em quando só para manter o corpo quente mesmo.  Muitos estabelecimentos comerciais tiram seu sustento da venda das pequenas doses de ginjinha vendidas, via de regra, a dois euros cada (um lucro fenomenal, já que uma garrafa de 1 litro custa aproximadamente 12 euros).

Voltando ao Ibn Errik Rex, a visita vale a pena, tanto pela história a ser ouvida como pela ginjinha ou pela inusitadíssima decoração de seu interior.  Converse também com o dono sobre sua origem e composição, ele terá prazer em explicar, certamente.  A propósito, se você ficou curioso, o nome do boteco é, em língua arcaica, o nome do primeiro monarca português: Afonso Henriques.

Sobre o restante da cidade, há muito o que ver e pouco o que se fazer.

Óbidos
Cena pitoresca de Óbidos

Há, basicamente, uma rua principal que corta a cidadela no sentido longitudinal (norte-sul) da cidadela, chamada Rua Direita, seguindo a boa tradição portuguesa de nomenclatura de nomes de rua.  Há outros dois ou três caminhos secundários (não dá sequer para chamá-los de “ruas”) paralelos a ela e ligações perpendiculares ainda menores entre eles.  Há poucas casas, a maior parte dos imóveis, principalmente na Rua Direita, é formada por estabelecimentos comerciais de arte e artesanato, com alguns bares e prédios públicos também.

Óbidos
Rua Direita

Na rua Josefa de Óbidos, que deriva da Rua Direita assim que se passa pela Porta de Nossa Senhora da Piedade e segue até a Igreja de São Pedro, abriga a maior parte dos restaurantes da cidade.  Almocei ali, no Restaurante Burgo – escolhido aleatoriamente pela Fiona.  Comi uma sardinha de boa qualidade, atendido por uma atendente tão simpática quanto bonita (isso é um elogio, não é uma ironia).  De sobremesa, provei “baba de camelo” – um doce gostoso porque era bem doce, nada de especial.  Só depois de voltar ao Brasil fui ver as considerações sobre o tal restaurante em sites de dicas de viagem e descobri ser o pior avaliado da cidade.  Meu almoço não fora tão mau assim…

Na extremidade oposta da cidade está o Castelo de Óbidos, propriamente dito.  Nele funciona, atualmente, uma unidade da rede “Pousadas de Portugal“, administrada pelo Grupo Pestana.  A proposta da rede é fomentar o turismo em Portugal utilizado propriedades (castelos e palácios) concedidas pelo Estado Português (que não tinha dinheiro suficiente para mantê-las adequadamente e tinha o interesse de atrair turistas – e o dinheiro que eles levam consigo – para o país).  A ideia vem da época de Salazar e ainda hoje funciona muito bem, ao que consta, porque novas pousadas continuam surgindo no país.

Independentemente do uso que se faz atualmente do Castelo, ele é um belíssimo cenário para coroação da beleza estética de relevo caótico da muralha.  A sua visão, tanto do lado de fora quanto da extremidade oposta da muralha (sobre o bastião da Porta de Nossa Senhora da Piedade), é fantástica.  Ele é, sem sombra de dúvidas, o grande cartão postal da cidade.

Óbidos
Castelo de Óbidos visto da parte exterior da muralha

Por ora, paremos por aqui, no alto da muralha, sobre a porta de Nossa Senhora da Piedade.  Continuaremos amanhã.

Óbidos
Vista da cidade a partir do topo do bastião sobre a Porta de Nossa Senhora da Piedade, com o Castelo de Óbidos lá no fundo. Abaixo, à esquerda, a Rua Direita; à direita, a Rua Josefa de Óbidos.
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