Óbidos – parte 4

Estamos, portanto, sobre a Porta de Nossa Senhora da Piedade, no alto da extremidade sul das muralhas que cercam a cidadela de Óbidos.  Para ser bem preciso, aquela não é a extremidade sul.  A muralha ainda prossegue um pouco mais em direção ao sul, mas a cidade não vai até lá.

Dali, olhando para o sul, é possível ver o acesso à cidade e o grande bolsão de estacionamento que existe ali (falaremos sobre ele no próximo post).  Virando-se para sudeste (girando o corpo em sentido anti-horário), é possível ver o grande aqueduto que outrora abastecia a cidade, chamado Aqueduto da Usseira, por ter origem na pedreira de Usseira, onde fica o manancial que o abastece, a 3km das muralhas da cidadela.

Aqueduto de Óbidos
Aqueduto de Óbidos

Continuando o giro, percebe-se que a face leste da muralha está topograficamente muito abaixo da face oeste, já que a cidadela se apoia sobre a encosta leste de um monte, fazendo com que a cidade pareça um anfiteatro.  Lá ao fundo vê-se a rodovia IP6/A8, que liga Lisboa a Leiria, usada por você para chegar à cidade.  Mais ao norte, você verá a cidade toda com o Castelo ao fundo.  Para oeste, não verá nada além das muralhas, porque elas estão topograficamente mais altas que você, lembra?

Trecho do adarve da muralha de Óbidos
Trecho do adarve da muralha de Óbidos

É possível dar um giro completo na cidade pelo adarve da muralha.  É um passeio demorado, cansativo e perigoso.  O adarve não conta com guarda-corpo e nem sempre é largo o suficiente para permitir a passagem de muitos transeuntes simultaneamente; além disso, em muitos trechos, ele é íngreme ou composto por escadas.  Ele também é muito alto; qualquer queda pode ser dolorosa (quiçá fatal).  O seu calçamento é muito irregular, porque ele é feito das mesmas pedras que compõem a muralha.  E há poucos acessos a ele, de modo que, uma vez iniciado o passeio, não é possível abandonar senão quando se alcançar o próximo acesso (que pode ficar a mais de 1km de distância).  No entanto, a beleza das vistas que se tem durante o passeio, especialmente sobre a face oeste da muralha (mais alta que a face leste), pode fazer todos esses riscos valerem a pena.

Qualquer que seja a sua decisão acerca de um passeio pelo adarve, em algum momento você terá que descer de volta à rés-do-chão.  Nesse nível, a cidade é mais agitada, principalmente pelos turistas que (via de regra em bandos) caminham aleatoriamente entre lojas, restaurantes e as três igrejas da cidade: a Igreja de Santa Maria, a Igreja de São Pedro e a Igreja de São Tiago.

Santa Maria é a Matriz de Óbidos.  Está localizada no centro da vila, voltada para oeste, em obediência à tradição medieval, em frente a uma grande praça homônima.  Ela data do século XV, torre sineira do século XVI e interior belamente decorado por azulejos.

Igreja de Santa Maria
Interior da Igreja de Santa Maria

São Pedro é menor, mais acanhada, está localizada mais ao sul da cidadela.  Da sua construção inicial restaram apenas o pórtico gótico.  Possui interior de nave única e magnífico retábulo barroco de talha dourada do período joanino.

São Tiago está na extremidade norte, ao fim da Rua Direita, junto ao Castelo de Óbidos.  Foi erguida originalmente em 1186, possuía três naves e entrada também voltada para o oeste, comunicando-se com o interior do Castelo.  Era a igreja de uso da Família Real quando esta se hospedava na cidade, razão pela qual era a mais rica dentre as três igrejas da cidade.  Só que ela não resistiu ao terremoto de 1755 e teve que ser reconstruída nos dois decênios seguintes – desta vez, com fachada voltada para sul, alinhando-se com  Rua Direita.  Do original restou parte do pórtico lateral que até hoje pode ser visto ao lado do pórtico sul atual.

Igreja de São Tiago
Igreja de São Tiago com o meio pórtico original à mostra

Óbidos é uma cidade muito agitada.  Além de si própria, costuma receber eventos constantemente.  Vale sempre a pena dar uma olhada no site oficial da cidade para saber o que estará rolando durante a sua visita.  No meu caso, rolava uma feira literária quando eu estive lá, o que deu ainda mais prazer à minha visita.  Pena que livros são muito pesados para se carregar em viagens internacionais.  Mesmo assim, só de ter contato com tantas coisas interessantes, já valeu a pena.  Registrei com fotografias alguns títulos para posterior busca e aquisição.

No próximo, e último post da série sobre Óbidos, as dicas práticas para se visitar a cidade.

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