De volta a Buenos Aires

Férias com as crianças.  O que fazer?  Para onde ir?  Depois de muitas discussões e orçamentos, eu e Fiona resolvemos aportar nossa nave familiar por uma semana inteira na capital portenha.  Viagem curta, voo direto, baixo custo (a viagem inteira custou menos do que duas passagens de ida e volta para a Europa), além daquelas clássicas motivações que eu já expus no relato da primeira viagem que fiz até lá (há nove anos!): rever amigos, beber bons vinhos, facilidade de comunicação e poucos problemas durante a viagem para resolver.

Nem bem terminei o relato da última viagem de férias (para Portugal) e já tenho uma penca de coisas para escrever sobre outra viagem.  Desse jeito esse blog vai se transformar em um blog sobre viagem e crianças – e viagem com crianças.  Não é o propósito original, mas o que se há de fazer?  Durante algum tempo os relatos de Portugal e Argentina serão publicados alternadamente.

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A capital portenha não é o meu sonho de consumo de viagens.  Aliás, voltar a lugares conhecidos não é o meu sonho de consumo em viagens, embora eu seja obrigado a admitir que a determinados destinos eu acho que seria capaz de voltar algumas vezes com prazer: San Francisco, Londres, Florença, Porto…  De todos os destinos internacionais minimamente decentes, Buenos Aires é o menos nobre.  O problema é que o sonho sempre termina na conta bancária.  Levar as crianças para a Europa seria um desperdício ao qual eu não estava disposto a me sujeitar.  Por isso, fomos mesmo para Buenos Aires.

Cidade que se parece muito o Rio de Janeiro: zonas norte e sul de realidades opostas (apesar de lá ser a zona norte a parte rica, bonita e bem cuidada da cidade), está realizando obras para implantar linhas de BRT, possui taxistas malandros demais, tem dois aeroportos (um, grande, na casa do cacete e outro, menor, na beira do mar/rio), os parques de Palermo se parecem bastante com o Aterro do Flamengo, tem um centro bastante degradado com muitos moradores de rua…  São muitas semelhanças, tantas que viajar para lá, na minha concepção, é um contra-senso.  Viajar é fugir da realidade cotidiana; viajar para um lugar tão parecido com a sua realidade, não diverte.

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Mesmo assim foi legal. Deu para espairecer, não pensar no trabalho, ter outros problemas diferentes dos habituais, como procurar banheiro, lavar roupa na mão, encontrar um parquinho no caminho para brincar, e fazer muito exercício.

Caminhamos 12km em média todos os dias, empurrando o carrinho duplo com os dois dentro e carregando uma mochila devidamente equipada para um dia inteiro de rua (o que incluía água, leite em pó, frutas, biscoitos, algumas mudas de roupa para cada um, repelente, documentos e, ocasionalmente, bugigangas que eram adquiriras no caminho).  Percorremos alguns pontos turísticos, outros nem tanto.  Não foi preciso bater o ponto nos locais obrigatórios.  Foi uma visita 2.0, por assim dizer.

Floralis
Ponto batido

Tudo isso me deixou prestar mais atenção no intangível portenho do que nas coisas que efetivamente fizemos. Tentei olhar mais de fora a cidade e seus habitantes. Conversei mais com pessoas, já que não tinha compromisso de cumprir um roteiro, uma programação. Só tínhamos uma coisa para ver e fazer por dia, além de almoçar. Sobrava tempo para não fazer nada. Sobrava tempo para flanar e observar. Vocês vão reparar que a narrativa da viagem será diferente desta vez.

Aguardem!

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