Meninos, eu vi

Quando o hino tocou, na entrada dos times e eu vi aquele pano redondo, em forma de bola, tremulando no centro do gramado, uma lágrima escorreu no canto do meu olho.  Não era um grande jogo, não eram duas equipes candidatas a título, não valia muita coisa, mas era um jogo da Liga dos Campeões da UEFA.

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Quando a UEFA realizou o sorteio dos grupos, eu já tinha passagens compradas e hotéis reservados.  Só me restava torcer para que a sorte sorrisse para mim e me agraciasse com um jogo no Porto (do Porto) ou em Lisboa (do Benfica ou do Sporting) nas datas em que eu estaria nas duas cidades.  Só um jogo favoreceu essa combinação: Sporting x Legia Varsóvia.

Ato contínuo, fiz contato com meus amigos portugueses.  O pai deles é sócio do Sporting e tem dois assentos no estádio.  Lógico que eu não queria ocupar o assento deles; eu queria que ele, como sócio com direito a prioridade na compra dos ingressos, adquirisse dois bilhetes para que eu pudesse assistir o jogo.  Deu tudo certo: ele conseguiu comprar os bilhetes (ao custo de 40€ cada – o mesmo preço que um turista pagaria para assistir o Flamengo no Campeonato Carioca) e, no dia marcado, lá fui eu ao Estádio Alvalade XXI encontrá-lo.

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O transporte até o estádio é fácil: metrô até a estação Campo Grande (linhas amarela e verde).  Atenção: embora o nome do estádio seja José Alvalade, a estação Alvalade (da linha verde) não é próxima ao estádio.  Pode parecer piada, mas não é, até porque o bairro Alvalade e o nome do estádio têm origens distintas.  O bairro Alvalade é composto por três Freguesias – Campo Grande, São João de Brito e Alvalade.  Seu nome parece ter origem na designação árabe “Al Balade”, que significa lugar habitado e murado.  Ali teria sido travada, em cerca de 1321, a batalha de Alvalade entre D. Dinis e seu filho, o futuro D. Afonso IV.  Já o estádio deve seu nome ao primeiro presidente do Sporting, José Alfredo Holtreman Roquette, conhecido como José Alvalade.  O Alvalade XXI, ou melhor, o novo Estádio José Alvalade, foi o primeiro estádio português a receber as 5 estrelas da UEFA.

Ele não é muito grande, mas é suficientemente funcional para um time grande da capital lisboeta: possui pouco mais de 50.000 assentos.  É confortável, prático e bonito.

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O nosso anfitrião estava orgulhoso da nossa presença.  Encontramo-nos na escadaria do estádio, em frente à estação do metrô e ele resolveu dar uma volta completa no perímetro do estádio antes de entrarmos.  Detalhe: faltavam 40 minutos para o início da partida quando demos início à volta.

Logo no início do passeio, fomos interrompidos porque o time do Legia estava desembarcando do ônibus – ali mesmo, na calçada, e entrando a pé no estádio.  Sem confusão, sem gritos ofensivos, sem ameaças por parte da torcida anfitriã.  Apenas dez policiais, cinco de cada lado, isolavam a calçada, formando um corredor através do qual os jogadores passavam.  Tudo na maior urbanidade e decência.  Eu só acreditei porque vi.

A entrada também se deu sem nenhum transtorno ou confusão, apesar de faltar pouco menos de 15 minutos para o início da peleja.  Jogo com casa cheia, diga-se de passagem.  Estimo que a lotação beirasse os 80% da capacidade do estádio.

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Meu lugar não era dos melhores, mas eu não posso reclamar: na beira do campo, juntinho a uma das bandeirinhas de escanteio e bem próximo à torcida do Sporting.  O time vinha de uma sofrida derrota de virada para o Real Madrid no Santiago Bernabéu – sofrendo o gol da virada em uma falta bem cobrada por Cristiano Ronaldo mas muito mal assinalada pelo árbitro.  Pena que os dois gols da partida, feitos logo no início do primeiro tempo, foram da baliza mais afastada.

O Sporting venceu, 2×0, sem correr nenhum risco.  Entrou aplicado em campo, voou para cima do adversário, decidiu o jogo logo no seu início e depois administrou com competência o resultado.  Essa, porém, seria a única vitória do time nessa edição da Champions League.

Achei extremamente interessante o comportamento da torcida.  A bancada atrás do gol à direita das cabines de televisão era bastante empolgada, com as torcidas organizadas cantando e empurrando o time quase o tempo todo.  O restante do estádio era moribundo.  Algumas pessoas – mais do que eu estou acostumado a ver – chegaram atrasadas e passaram a maior parte do tempo com olhos colados no WhatsApp do que no campo de jogo.

Foi um ótimo passeio, bastante divertido.  E, que os meus amigos Sportingistas me perdoem, mas na próxima vou tentar assistir um jogo do Benfica.

 

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