Teoria e prática em Belém

A Teoria, sem a prática, é vã

A Prática, sem a teoria, é charlatanismo

Até agora, os dois posts que escrevi sobre as principais atrações turísticas de Belém (este e este) foram repletos de teorias maravilhosas sobre a história da arte, da Europa, do Estilo Manuelino e das construções a serem visitadas – que hoje em dia são duas das principais fotos de identidade turística internacional de Lisboa e de Portugal.  Tudo muito lindo mas…  Como eu faço para visitá-las?  O que eu realmente devo saber para não passar perrengue ou, ao menos, para otimizar a minha visita?  Responder essas perguntas (e muitas outras) é o que pretendo fazer agora.

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Primeiramente, é preciso dimensionar o tempo.  Se você quer apenas conhecer o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém, uma manhã em Belém é suficiente para isso e para uma volta rápida a pé pelos arredores, com certa calma.  Se a ideia é ver tudo que há para se ver e fazer em Belém – incluindo o Centro Cultural de Belém, o Museu da Marinha, subir o Padrão dos Descobrimentos, o Museu Nacional dos Coches, o Museu da Presidência da República, o Palácio d’Ajuda e o Museu de Etnologia (esses dois últimos são um pouco afastados, mas fazem parte do mesmo circuito cultural) – saiba que talvez um dia inteiro seja pouco.

Eu fiz um roteiro do essencial.  Afinal de contas, o objetivo da minha viagem não era exaurir localidades, mas despertar na Fiona o desejo de retornar a Portugal em outras viagens futuras.  Ficou bem legal.  Que roteiro foi esse?

Bem cedinho, antes das 9h, chegamos no Largo dos Jerónimos a bordo do autocarro (ônibus) 714, no qual embarcamos na Praça do Comércio.  Viagem bem rápida, não dura mais que 20 minutos.  Voltando um pouco no sentido que íamos, nossa primeira parada foi nos Pastéis de Belém.

É muito provável que você já tenha visto e até comido pastéis de Belém em outros lugares.  Aliás, se você os viu ou comeu em outro lugar, você na verdade viu ou comeu pastéis de nata, não de Belém.  Isso porque o nome “Pastéis de Belém” é uma marca registrada de domínio exclusivo dessa pastelaria.  Assim, só os pastéis que ela vende é que são “Pastéis de Belém”, todos os outros, não.  A história dos pastéis é longa (aguarde o vídeo de amanhã) mas o que interessa é que o caráter único do lugar o torna uma atração turística obrigatória.  Tão obrigatória que o lugar, apesar de grande, simplesmente lota após as 9h (antes das 9h, já havia filas do lado de fora para comprar Pastéis de Belém para viagem).  É recomendável, portanto, chegar cedo para não perder tempo em filas e para aproveitar esse horário em que as outras atrações de Belém ainda estão fechadas (elas só abrem às 10h).  Espere gastar uns 30 minutos para tomar um café da manhã altamente calórico com muita calma, gastando relativamente pouco.

Pastéis de Belém
Café da manhã nos Pastéis de Belém

Saindo dos Pastéis de Belém, pegamos novamente o ônibus 729, mas poderia ser o eléctrico 15, que nesse trecho faz percurso idêntico, no mesmo sentido que vínhamos, em direção a Algés e Cascais.  Descemos duas paradas depois, atravessamos a rua em direção ao Tejo e passamos pela passarela até o outro lado da linha do trem, numa das quinas dos Jardins da Torre de Belém.

Esperamos um pouco até as 10h, horário de abertura da Torre.  Fizemos a visita – que não demora muito – e seguimos a pé, beirando o Tejo, até a bela Rosa dos Ventos desenhada no chão da praça na qual está localizado o monumento salazarista chamado Padrão dos Descobrimentos (vídeo na outra quinta-feira, dia 20, aguardem).  Fotos, sorrisos e um tempo para apreciar aqueles belos monumentos, sob o sol já bem quente de Lisboa.  Então, atravessamos a Av. de Brasília e a linha do trem de volta, pela passagem subterrânea existente ali em frente ao Padrão dos Descobrimentos até a Praça do Império.

Cruzando a Praça do Império – uma bela praça, por sinal – chegamos novamente no Mosteiro dos Jerónimos.  Fizemos a visita ao Mosteiro e à Igreja e seguimos para o Museu Nacional dos Coches a pé (passando novamente em frente aos Pastéis de Belém).  Visitamos os dois prédios do Museu Nacional dos Coches e pegamos o ônibus 714 de volta para o centro de Lisboa.

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Belém possui um circuito cultural próprio, quase que integralmente gerido pelo governo português.  Por esse motivo, há bilhetes combinados para as suas atrações turísticas, que oferecem ao visitante alguma vantagem econômica.  Há várias alternativas possíveis, a depender do apetite e do interesse do visitante (clique aqui para ver todas as opções).  Como o meu interesse era ver apenas a Torre de Belém e o Mosteiro dos Jerónimos, comprei o bilhete “Descobertas” – que não representava nenhuma vantagem econômica, já que seu preço é a simples soma do valor do ingresso das duas atrações.  Mas ele tinha, sim, suas vantagens, e eu estava prestes a descobrir isso.

Na Torre de Belém, a compra do bilhete é feita em um guichê instalado na própria Torre.  Como eu não tinha dinheiro trocado, tive que esperar um pouco até que alguns outros turistas adquirissem seus bilhetes e a moça (não muito paciente tampouco simpática) tivesse notas pequenas suficientes para formar o troco.  Situação meio ruim, já que o espaço ali é apertado.  Acho que poderiam estudar colocar uma bilheteria na parte externa da Torre, em terra firme.

Foi nessa hora que notei que, apesar da multidão de turistas, quase todos liderados por guias que carregavam suas bandeirinhas, guarda-chuvas e outros apetrechos de liderança, apenas se aproximavam da Torre de Belém para tirar fotos.  A fila para entrar era incompatível com aquela quantidade de gente e com o interesse que a Torre poderia despertar nos turistas: havia pouca gente na fila.  E aí eu comecei a entender: a Torre é um espaço confinado, com único acesso de entrada e saída.  Seria muito complicado – e uma tremenda perda de tempo – que as excursões se aventurassem a entrar na Torre para visitá-la.  Então, sem exceção, todas elas apenas permitem fotos ao lado da Torre e depois seguem para visitar o Mosteiro dos Jerónimos.  E eu havia chegado cedo ali justamente para evitar filas quilométricas formadas por excursões.

A primeira consequência disso é que é razoavelmente fácil visitar a Torre de Belém.  Chegando a qualquer hora, é possível entrar nela sem enfrentar grandes filas.  A segunda consequência disso é que, no Mosteiro dos Jerónimos, porém, as filas são realmente grandes – e falaremos sobre elas daqui a pouco.

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Rio Tejo
O Rio Tejo e a Ponte 25 de Abril a partir da Torre de Belém

Após cruzar a Praça do Império, eu já via a balbúrdia na entrada do Mosteiro dos Jerónimos de longe.  Eram muitos ônibus descarregando uma multidão de gente ali; e uma multidão de gente se apinhando na entrada.  Estava calor, parei para comprar uma água gelada – algo realmente raro em Portugal e na Europa.  Enquanto sorvia a garrafa, uma policial se aproximou e me ofereceu uma fitinha, como aquelas do Senhor do Bonfim, de cor azul com dizeres em branco.  Por um momento achei que a policial me oferecia um souvenir; só entendi do que se tratava quando li os dizeres da fitinha.

Eram dados de contato da autoridade policial local, que se fazia presente ali para evitar a prática de crimes – o principal deles, a ação de batedores de carteira.  Ela explicou que uma quadrilha de batedores de carteira muito atuante em Lisboa havia sido desbaratada há um ou dois meses; apesar disso, polícia não baixara a guarda em ações preventivas e educativas, especialmente junto aos turistas.  Bacana a iniciativa, mas um pouco assustadora também (não para mim, que vivo numa cidade onde tiroteios, arrastões e balas perdidas são contadas na casa das centenas a cada ano que passa).

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Observando aquela fila enorme e desorganizada para entrar no Mosteiro dos Jerónimos, entendi que vale mais a pena chegar cedo ali do que na Torre de Belém.  Eu havia feito justamente o oposto.  Fica a dica.  Era, sem medo de errar, o caos.

Consegui notar que uma das filas, a maior, à esquerda, era para comprar ingresso.  Como eu já possuía o bilhete “Descobertas” (a entrada ao Mosteiro dos Jerónimos já estava paga, e eu não precisava adquirir novo bilhete), aquela não era a minha fila.  Outra fila (que, na verdade, não era uma fila, mas um aglomerado de gente), à direita, se destinava a entrar na Igreja Santa Maria de Belém (que não requer ingresso).  E havia duas filas muito mal organizadas (acredito que eram duas excursões distintas aguardando autorização para entrar no Mosteiro dos Jerónimos) no centro.  Tudo ficava ainda pior porque ali, também, era a saída de quem já havia visitado a igreja e o mosteiro.

Esgueirando-me por entre aquela multidão e puxando a Fiona pela mão, cheguei próximo a um sujeito que parecia controlar a entrada no Mosteiro dos Jerónimos, já após a bilheteria.  Expliquei para ele que já havia comprado o bilhete na Torre de Belém e perguntei qual fila eu deveria encarar para entrar no Mosteiro dos Jerónimos.  Ele perguntou se éramos só nós dois, respondi que sim, e tudo aconteceu conforme imaginado: ele nos mandou entrar dali mesmo.

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Mas, lembre-se (para o bem e para o mal): aos domingos e feriados, entre 10h e 14h, todas as atrações turísticas de Belém administradas pelo governo português têm entrada gratuita.  Se você preferir encarar essa vantagem, saiba que também as filas serão muito maiores.

 

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