Vinci: a cidade que deu tanto ao mundo e não guardou nada para si

Aproveitando que ainda restava um pouco de luz do dia após a visita de Lucca, seguimos viagem para Vinci – a cidade natal de Leonardo. Ela também fica na parte norte da Toscana, apenas um pouco fora do caminho entre Florença e Lucca. Apesar do GPS indicar direções absolutamente opostas às das placas das estradas (juro!), chegamos a Vinci sem percalços e no tempo programado. Fiquei imaginando o que seria de mim se houvesse seguido as placas.

O Castelo de Vinci
O Castelo de Vinci

A cidade de Vinci fica no alto de um promontório, no meio do caminho da subida de um complexo de montanhas que serve de limite norte à Toscana. Devia ser um mero burgo (uma cidade murada, acastelada) em forma de barco, seguindo o desenho do promontório em eras mais antigas. Aliás, devia ser um dos menores burgos de toda a Península Itálica, e um dos mais simples também. Uma torre, um castelo, algumas poucas casas e uma igreja. Só isso, nada mais.

E esse pequenino burgo teria de tudo para continuar pequenino e esquecido, quiçá desaparecido em meio ao progresso dos séculos porvir, não fosse por um fato único acontecido numa primavera da metade do século XV – mais precisamente, em 15 de abril de 1452: o nascimento de um menino, chamado Leonardo por seus pais. E esse fato parece mesmo ter sido o auge da história daquele lugarejo, tanto que o imortalizou e tornou seu nome conhecido por virtualmente quase todos os habitantes letrados do planeta (e alguns iletrados também).

Castelo de Vinci
O Castelo de Vinci

E foi algo tão significativo que após tamanho esforço, a cidade nada mais produziu. A impressão que se tem que Vinci parece ter dado ao mundo tudo o que podia de uma única vez. E deu tanto que não sobrou nada para si. Tanto que, hoje, a cidade não tem nenhum atrativo relevante a não ser o sobrenome de seu filho mais ilustre – aliás, do seu único filho ilustre.

Nos dias atuais, a cidade é pouco – muito pouco – mais do que era quando Leonardo nasceu. Além do burgo, há algumas casas construídas à volta e uma pequena parte baixa mais moderna. Mais nada. No burgo, o castelo ainda existe e está preenchido por um museu alusivo, obviamente, às invenções de Leonardo. Miniaturas, desenhos, protótipos (nenhum original) estão exibidos em pequenas mas bem arrumadas salas. O mais interessante do castelo é a vista do alto da torre e o café situado do lado de fora do museu, onde se pode fazer um lanche agradável e gostoso à sombra do castelo e de algumas plantas trepadeiras, se a sorte ajudar você a ser servido pelas garçonetes – atrapalhadas e de má vontade – e se você estiver disposto a pagar sete euros por uma latinha de refrigerante.

Chiesa di Santa Croce
Chiesa di Santa Croce

A outra atração turística é a igreja. Por fora simples, por dentro também (mas notoriamente restaurada no seu interior), ela ostenta o opaco título honorífico de “a igreja onde Leonardo foi batizado” – fato esse menos significativo ainda que o local do seu nascimento. E dá para duvidar que aquela pia batismal tenha idade suficiente para ter servido ao sacramento de Leonardo.

No fim do passeio, a impressão que ficou foi de que Vinci é uma cidade que não é capaz de justificar uma visita, mesmo sendo tão prático esticar a viagem até ela.

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11 comentários sobre “Vinci: a cidade que deu tanto ao mundo e não guardou nada para si

  1. É uma daquelas cidadezinhas que já cumpriram seu papel na História da humanidade.

    E GPS é assim mesmo. A Nicole, nossa GPS, de vez em quando entrava em pane quando a gente mais precisava dela. Eram momentos de pânico, hehehe.

    Maria (nossa GPS) não nos deixou na mão. Mesmo quando achávamos que ela havia nos deixado, ela estava lá.

        1. Ah, então quer dizer que vcs colocam nomes femininos para poderem xingar né? Isso está me cheirando a compensação…Freud explica fácil, fácil.

          Não é nada disso. Homens gostam de ser mandados por mulheres e, por isso, colocam vozes femininas no GPS. Daí dar ao GPS um nome de mulher. Xingar é consequência das falhas do sistema (mulheres sempre erram caminhos e direções).

          1. A primeira parte sim, mas a segunda, sobre errar caminhos, ainda estou meio perdida…minha homenagem ao Mestre Eduardo!! kkkkkkkkkkkkkkk

            Então você já entendeu o suficiente.

  2. Vinci pelo visto, é uma cidade feminina; modesta, dada, e apesar de não tão exposta, de fácil acesso.

    Vinci é a mulher feia que teve uma filha gostosa. Não fosse a filha, não valeria a pena conhecer.

  3. Quer dizer que lá não teria um experimento original que seja do Léo?

    Sei que o meu próprio GPS é quem dá nome à voz em português, e do Brasil.

    Não tem nada original.

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