Publicado por: Leandro | 25 Maio 2009, 12:01 am.

São Luís do Maranhão – o retorno

Há algum tempo, lá pelos idos do ano passado, eu tive a oportunidade de conhecer a capital maranhense.  Estive lá a trabalho e, por isso, o tempo que pude desfrutar a cidade foi muito escasso.  Conhecia tão pouco sobre o lugar que fiquei surpreso ao descobrir que era possível ver os lençóis maranhenses do avião, no caminho de Fortaleza (uma escala na viagem) para São Luís.

Depois de algum tempo, trabalhando aqui no Rio de Janeiro no mesmo projeto, conheci muito mais sobre a cidade e o estado: política, economia, muita geografia, alguma história…  Li  bastante, aprendi um bocado.  E recebi um monte de comentários dos ludovicenses aqui no blog, sempre defendendo a terra natal.  Não aprendi tudo, mas certamente muito mais do que eu sabia naquela época.

Há poucas semanas, retornei a São Luís, mais uma vez por força de compromissos profissionais.  Dessa vez, porém, um imprevisto fez com que eu ganhasse um tempo livre maior para curtir a cidade, aprender in loco, ver, enxergar coisas que eu talvez não pudesse ter descoberto na primeira visita.

Patrimônio abandonado: a regra

Patrimônio abandonado: a regra

E me desculpem os maranhenses e os ludovicenses, que defendem sua terra dizendo que eu não a conheço.  Um passeio desatento pelo centro histórico é bastante para ver isso.  Pobreza para todos os lados, abandono de um local que é tombado pela Unesco como Patrimônio Histórico da Humanidade, mendicância ostensiva, drogas, prostituição, palafitas…  É o lugar onde Judas perdeu as botas: longe e ruim.  Depois dessa viagem, afirmo com convicção: não vale a pena conhecer.  Não vale mesmo.  Eu desaconselho.  Há muitos lugares mais perto, mais baratos e melhores para se ver no Brasil.

Patrimônio mal conservado

Patrimônio mal conservado

Relendo aquele post, vi que peguei muito leve com a cidade.  Ela é beeeem pior do que eu retratei.  Nem tanto pelo calor, porque isso não se pode mudar.  Nem tanto pela chuva, porque isso também não se pode mudar.  É mais por aquilo em que deixaram a cidade se transformar (seus governantes e o povo que os elegeu).  Ela tinha tudo para ser linda, um presépio, uma Tiradentes tamanho gigante.  Tornou-se ruína de uma época que já se foi e que, ao que parece, não voltará mais.  Andando pelo centro histórico, vê-se, a cada esquina, um casarão em ruínas, caindo aos pedaços.  É lindo para fotografar, mas não é esse o sentido da palavra “tombamento” que eu gostaria de ver ali.

Fachada do Palácio dos Leões

Fachada do Palácio dos Leões

Cheguei na cidade e já era noite.  Resolvi dar uma passeada pelo centro histórico para tirar umas fotos noturnas.  Eu esperava um lugar relativamente ativo, com segurança razoável…  Ledo engano.  Na rua, só mendigos dormindo, prostitutas, gente se drogando, garis coletando o lixo e um par de seguranças na porta do Palácio dos Leões, a sede do governo do estado.  Só deu para dar uma volta na praça Pedro II, em frente ao palácio, e olhe lá.  Voltei correndo – literalmente, porque algumas das pessoas que estavam se drogando começaram a andar na minha direção e eu, carioca da gema, entendi logo do que se tratava – para o hotel.  Minha aventura – e que aventura! – não durou quase nada.

No dia seguinte, aproveitei a manhã livre para andar mais calmamente pelo mesmo centro histórico.  Frustrado por não poder ir a Alcântara (não teria o dia inteiro livre para o passeio), era o que me restava fazer.  E vi que aqueles casarões caindo aos pedaços, infelizmente, são maioria.  Apenas meia dúzia deles estão em perfeito estado de conservação (ao menos a fachada).  O restante, vai de mal a pior, escorados por andaimes ou estacas de madeira.  Lamentável.

Palafitas à vista do Palácio

Palafitas à vista do Palácio

Duas coisas me surpreenderam bastante: uma negativamente, a outra não fedeu nem cheirou.  A primeira é que do Palácio dos Leões (onde, em tese, a governadora trabalha) dá para ver um monte de palafitas na outra margem do Rio Anil.  Se nem da vista dela ela escondeu a miséria, imagina nos lugares onde a vista dela não alcança…  A outra é a diferença de marés, que seca o Cais da Praia Grande e o Rio Anil.  Impressionante!  Mas o lodo do fundo do rio não salva a cidade.

No fim do dia, fui ao shopping São Luís.  Não é grande, se comparado com um irmão do Rio ou de São Paulo.  E mesmo pequeno, estava vazio.  Parecia que todas as pessoas estavam na fila do cinema, tão grande que eu desistiria de ver um filme, se pretendesse fazê-lo.  Nenhuma novidade ali: nem nas lojas, nem na praça de alimentação.  Valeu pelo mercado, onde comprei umas coisinhas que não se acha no Rio, mas nada espetacular.

No dia seguinte, uma solenidade aconteceu no Palácio dos Leões.  Um monte de gente importante apareceu por lá.  Sobravam carrões estacionados irregularmente na Praça Pedro II.  Nenhum foi multado.  Uma dúzia de populares corria atrás dos carros e tentava apertar a mão das autoridades que transitavam, chegando para a tal solenidade.  Pão e circo.

A família voltou para deixar tudo como era antes

Voltou a ser como antes: ruim

Aliás, sobre a política maranhense, faço alguns registros.  No dia anterior a essa solenidade, havia um cartaz colado num tapume ao lado da prefeitura (que, por sua vez, fica ao lado do Palácio dos Leões), dizia: “Sarney em Brasília, prejuízo para o Brasil” e apresentava um cachorro com a cara do Sarney vomitando.  No dia da solenidade, este cartaz estava rasgado.  No aeroporto, numa lojinha de produtos regionais, há uma foto da governadora com a faixa e, em volta dela, umas seis pessoas, de origens étnicas e idades variadas: todos, inclusive a governadora, com a faixa no peito.  E não é difícil encontrar esse cartaz aí do lado espalhado pela cidade…

Observando tudo isso, e coletando um pouco do que os habitantes locais me contaram sobre a política local, compreendi que não entendo nada de política mesmo: eu achava que política era a arte de influenciar para impôr os próprios interesses sobre os interesses alheios.  Como, então, fazer política sobre um lugar que não tem nada interessante, como o Maranhão?  Governar aquilo é o maior rabo de foguete…  Só prejuízo!  E os caras ainda ficam brigando na justiça para ver quem fica no poder…  Fosse eu, brigaria na justiça para o outro assumir no meu lugar.

Eu sei que um monte de gente vai aparecer aqui “tacando pedra” em mim pelos comentários.  Já fazem bastante isso naquele outro post a que eu me referi há pouco – aquele no qual “peguei leve” na descrição das minhas impressões da cidade.  Taquem mesmo: isso aqui é uma democracia.  Mas matem a cobra e mostrem o pau, como eu fiz aqui com as fotos.  Dizer que São Luís tem lugares maravilhosos sem dizer o endereço, o CEP e o que tem de extraordinário lá não vale.

Antigamente: ótimo restaurante

Antigamente: ótimo restaurante

Infelizmente, terei que voltar lá mais cedo ou mais tarde por força de compromissos profissionais.  Dessa vez, espero não ter imprevistos que alonguem minha estada mais que o tempo necessário para dar conta do meu trabalho e de fazer uma refeição no Antigamente.


Respostas

  1. O Maranhão é uma terra maravilhosa, nossa capital mais ainda.É fácil tirar fotos de casarões abandonados…pobreza tem em qualquer lugar do mundo, principalmente no seu estado de espírito que vê tudo da pior forma possivel. E o que dizer das favelas cariocas? Sem mais comentários……

    Caroline, é pena que vc não tenha mais comentários. Vc matou a cobra mas não mostrou o pau. Faltou dizer o que eu disse de errado e o que há de bom em São Luís.


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